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A Última Colheita

Um viveiro, uma planta grotesca e uma colheita que nunca termina.

Capítulos: 10 HorrorSuspense

Capítulo 1

Mariana sempre encontrara refúgio entre as plantas. O pequeno viveiro de sua cidade rural era mais do que um trabalho; era um lar silencioso onde o verde e as flores coloridas se entrelaçavam em uma dança suave sob a luz do sol. Todas as manhãs, antes mesmo do primeiro raio atravessar o horizonte, ela já estava ali — preparando o solo, podando folhas secas, regando cada muda com um cuidado quase maternal. Cuidar da vida que brotava na terra era, para ela, uma extensão natural do próprio ser, uma forma de amar.

Mas, desde a morte recente de sua mãe, aquele espaço havia se transformado em um labirinto de lembranças dolorosas. A ausência pesava como uma sombra que a acompanhava em cada gesto. O eco das risadas que já não ouvia e o fantasma dos carinhos que não mais receberia pareciam persegui-la sem descanso. A dor se tornara uma presença constante — quase física — sempre à espreita, pronta para sufocá-la.

Os dias arrastavam-se em uma monotonia sem cor. Os clientes se tornaram rostos indistintos, as conversas, apenas murmúrios distantes. Mariana tentava buscar conforto na beleza das flores, mas até as pétalas delicadas lhe pareciam lembretes cruéis da fragilidade da vida. E, quando a noite caía e o silêncio tomava conta, a saudade da mãe a esmagava com mais força. Muitas vezes, lágrimas surgiam sem aviso, e seu peito doía como se tivesse sido dilacerado.

Nas horas solitárias, diante da janela, ela se perdia no brilho das estrelas. Perguntava-se se elas também conheciam a dor, se também lamentavam as perdas do tempo. Imaginava sua mãe lá em cima, observando-a de algum ponto invisível. Esse pensamento trazia um consolo breve, que logo se desfazia diante da realidade inescapável: ela nunca mais voltaria.

Enquanto o luto a consumia lentamente, Mariana não podia imaginar que sua vida estava prestes a mudar de forma ainda mais cruel e inesperada. A morte da mãe fora apenas o início. O destino, impiedoso, reservava-lhe um horror muito maior — e as cicatrizes que já carregava seriam apenas o prelúdio de um pesadelo sem retorno.